Alertas · Saúde e Bem Estar

Ciúmes entre Irmãos como Administrar

O tema do post de hoje foi sugestão da minha filha.

Como administrar os conflitos entre os irmãos, com certeza, é um dos grandes desafios da maternidade. Não é fácil administrar os desejos, as vontades e as personalidades de cada um.

Antes do meu segundo filho nascer, tinha muito medo de que a mais velha sofresse com ciúmes do irmão, afinal, durante mais de 3 anos, ela foi o centro das atenções da família: a primeira filha e a primeira neta de ambos os lados e, exatamente por isso, eu acreditava que dividir esse posto não seria nada fácil.

Engravidei somente quando percebi que ela já era independente o suficiente. Ainda na intenção de que tudo fosse fácil, busquei que ela se envolvesse nos preparativos para a chegada do irmão; conversei bastante; e, principalmente, não a deixei em segundo plano, mesmo com todo cansaço da gravidez ou com a chegada de um recém-nascido em casa. Consegui manter ao máximo a minha rotina com ela. Foi cansativo? Muito!!!!!! Mas aparentemente deu certo.

Ela recebeu o irmão muito bem, em nenhum momento apresentou nenhum sinal de ciúmes. Continuava sendo a menina esperta, sociável e alegre que sempre foi. E João Pedro que sempre foi muito calmo, muito quieto, nunca deu trabalho e sempre teve sua irmã como um grande exemplo. Sempre foram felizes. Brincavam e brigavam como quaisquer irmãos.

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Passaram-se mais 4 anos e até então eu não sabia o que significava ciúmes entre irmãos. Aqui em casa, isso nunca havia existido. Foi aí que o menino bonzinho cresceu e resolveu mostrar seu lugar na casa. Ele parou de ceder às vontades e aos desejos da irmã e aí surgiram as desavenças. Foi preciso ter jogo de cintura para saber lidar com os ciúmes, a competição, as brigas etc.

Passado mais um ano, a família aumentou. Tudo já estava bem tranquilo e harmonioso. As crianças já estavam bem crescidas e a notícia da chegada de um novo irmãozinho foi motivo de grande felicidade para eles. Tive uma gestação bem difícil, fiquei de cama 3 meses e mesmo antes da nossa caçula nascer, ela já vinha ocupando o espaço dos irmãos.

De uma hora pra outra , eu não podia mais participar da rotina deles. Não era mais possível levá-los nas atividades, buscar na escola, até mesmo, acompanhar o dever de casa ficou complicado, já que nem sentar eu podia. Apesar disso, tudo estava ótimo. Cada semana que passava era comemorada, o risco diminuía um pouco e as crianças entendiam o que estava acontecendo. Entendiam??? Talvez?! Acho que entendiam sim, porém não deixavam de sentir a falta da mãe, que sempre teve presente 24 h na vida deles.

Nossa caçula nasceu, cheia de saúde e trazendo uma imensa felicidade a todos. Minha vida estava tão completa que não percebi alguns sinais nos meus filhos. Rapidamente voltei à rotina com as crianças, conseguia levar na escola, atividades, fazer o dever etc…. Estava tudo ótimo? Se a resposta fosse naquela época, eu não teria dúvidas em falar que sim. O que eu não conseguia perceber é que quando a rotina x obrigação acabava todo o meu tempo era da caçula. Se tinha um minuto sobrando era no quarto dela que eu estava. Após um aborto e uma longa batalha na gravidez, ela era meu troféu. E ela começou a crescer assim, se sentindo a princesa da casa. Que menininha mandona!!!!!

Os mais velhos de uma hora pra outra voltaram a brigar mais, competiam em tudo. Até que em uma conversa a respeito da possibilidade de ter o quarto filho, minha filha mais velha disse que não queria mais nenhum irmão. Pra mim foi um grande susto. Como assim? Você é tão apaixonada pela sua irmãzinha! Você adora bebês! E ela respondeu que a irmã me tirava dela.

Aí realmente me acendeu a luz vermelha. Pré-adolescentes também sentem pela chegada do irmão mais novo, também sentem quando acham que os pais favorecem o menor. Os mais velhos precisavam mais de mim. Não da mãe que levava na escola, fazia dever, levava ao médico, mas da mãe que brincava, que ficava conversando, que tinha um tempo só para cada um, que organizava passeios e programações divertidas. Chegou, então, a hora de rever os erros e recomeçar. E que mãe nunca errou?

Eu passei a estar mais atenta aos pequenos sinais de ciúmes; a tentar não comparar os filhos (tarefa difícil); a não exigir demais dos mais velhos; a respeitar a personalidade da cada um, identificando e sabendo lidar com os pontos fortes e fracos de cada um, sempre buscando ouvir o que eles têm a dizer.

Passamos a ter pelo menos uma noite no fim de semana de diversão em família, com passeio, brincadeiras e diversão. Pode ser uma ida ao cinema, alugar um filme em casa, fazer uma pizza. O meu marido também ajudou muito. Passou a sair sozinho com as crianças quando eu estava com algum problema com a pequena e ele também começou a fazer programas individuais com cada um.  Reorganizei meu tempo e todos passaram a ter tempo exclusivo, todos definiram o seu espaço.

Diante da minha experiência, se eu tivesse que dar conselhos para os pais que estão passando por situações semelhantes, diria o seguinte:

*saiba ouvir cada um dos seus filhos.

*ensine a criança a lidar com os sentimentos como raiva, ciúmes etc..

*elogie os pontos fortes de cada um.

*faça o dia do filho único.

*não descuide do filho mais quieto. Ele também precisa muito de você.

*não fique desesperado com brigas. Elas fazem parte.

*não incite comparações entre eles.

*analise sempre as diferenças etárias de cada um.

*é preciso que cada um tenha seu grupo de amigos.

*não obrigue nenhum a fazer uma atividade extra que não goste, porque o irmão faz e isso seria mais prático. Respeite as individualidades.

Com tantas questões para lidar, fica a pergunta: Vale a pena ter mais filhos?

Lógico que vale.

Independente dos problemas, esse é um processo de aprendizado, crescimento e diversão para todos. Com irmãos aprendemos a dividir e a resolver conflitos, ganhamos um parceiro e amigo para a vida toda, adquirimos segurança diante das adversidades, pois nunca estamos sozinhos. Enfim, aprendemos uma nova forma de amar: o amor fraternal.

Mas se diante de todas as tentativas, as brigas por ciúmes ainda estejam fora de controle, respire fundo e recomece.

ASSINATURADANI

 

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85 comentários em “Ciúmes entre Irmãos como Administrar

  1. Que palavras mais lindas, Dani! Vc realmente nasceu para ser MAE, te admiro muito, pois vivemos num mundo tão cheio questoes e poucas acoes, que vc vai contra tudo aquilo que uma mae moderna poderia ser,Parabéns! Que O Senhor Jesus continue te abencoando e iluminando vcs! Saudades demais de todos =) bjs

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  2. O assunto abordado foi muito bem colocado pela Dani. que teve a percepção de resolver da melhor maneira possível, por conta de conversas com os filhos. O ciúme entre irmãos vai existir em qualquer idade, desde que a disputa pela atenção dos pais seja saudável, por conta da educação que receberam deles. O diálogo tem que existir sempre de ambas as partes, e a solução tem que ser resolvida por ambas as partes. Espero que eu tenha me feito entender. Beijos para a família…

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  3. Passei por isso, n moran na mesma casa, meu pai casou mais 2 vezes mas realmente isso q vc fez ele tb fez, mas sempre tem conflitos como resolver que é a arte, vc é um exemplo para todos Dani

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  4. Parabéns pelo belo texto Dani! Realmente administrar os ciúmes entres irmãos é uma tarefa árdua! Às vezes respiro fundo, peço forças a Deus e muitas vezes fico arrasada quando não consigo resolver a questão.
    Você é uma excelente mãe e é nítido que está no caminho certo! Sua família é linda! Parabéns!
    Bjs

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  5. Dani que post lindo, as dicas são ótimas até para as mamães de um(a) só como eu, uma única palavra para definir o que você escreveu “amor”. Parabéns por ser essa mãe tão especial e obrigado por nos dar a oportunidade de seguir seu dia dia no instagran que são tão legais e apaixonante, eu adoro. Beijo 😘

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  6. Muito bom Dani, parabéns!!! Acrescentaria que mesmo atentos, nem sempre é possível para nós pais, evitarmos estes sentimentos. E o sentimento de culpa muitas vezes nos atormenta tanto que dificulta ainda mais o encontro de soluções…. Clara era filha única e quando decidi ter a Bruna, também tive preocupações em relação á escola, desfralde, etc… Entrei em trabalho de parto com 29 semanas. Fiquei internada uma semana e depois, meu médico não hesitou em me deixar de repouso absoluto. Ao mesmo tempo, o irmão mais velho de 10 anos do primeiro casamento do meu marido, veio morar conosco, cheio de questões com a mãe e quase repetindo de ano no Santo Agostinho…precisando muito do pai….E a Clara, de filha única, virou filha do meio num piscar de olhos!!!! Sofreu!!! Eu de repouso, meu marido trabalhando e se dividindo como dava… Até hoje, a dinâmica aqui em casa é permeada pelo ciúmes entre os três…me culpei por muito tempo!! Mas hoje tenho o discernimento que está foi a nossa história de vida!!!Fizemos o melhor que pudíamos naquele momento e, apesar de tudo, construímos uma família feliz e saudável! Grande beijo!!!

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  7. Trabalheira grande, né?! Rsrsrs Por aqui o ciúme também está federal! Virei mãe de gêmeos com 3 anos de diferença! Aaaaiiinnn Davi quer colo direto! 😦 agora que Arthur está começando a comer outras coisas, vou aproveitar para sair mais sozinha com Davi, como sempre fizemos… E rezar! 😉 Adorei o relato! 👏🏻👏🏻👏🏻

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  8. Adorei! Não me identifiquei como mãe, pois as minhas filhas ainda são muito bebês e tem a diferença de um ano e meio, mas me identifiquei como filha, com a sua primogênita. Lá em casa fui a mais velha de três… Acabei me tornando muito responsável e hoje sou bem resolvida, mas na infância senti bastante falta de atenção. 💋

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  9. Aqui não tenho notado muito ciúmes entre eles, há brigas e algumas competiçõe, essas mais por parte do caçula, mas poucas. Mas as vezes é preciso observar muito, pq o ciúmes pode passar despercebido né. E eles realmente precisam de individualidade, de um tempo, de atividades particulares, ainda mais com idades e interesses diferentes como os meus dois.

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  10. Após ler tudo, ainda continuo me perguntando quando eu conseguirei ter outro filho? Eu ainda me acho despreparada (para não dizer egoísta) em dividir a atenção que dou ao meu filho com uma outra criança. Lindo o relato e mais lindo ainda o reconhecimento de que algo estava fora do lugar e que precisava ser revisto. Parabéns. Beijos

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  11. Eu tive ciúmes da minha irmã mais nova e por muito tempo. E eu mesma fazia uma agenda com minha mãe para tê-la só pra mim por um dia, era muito bom…. me fazia muito bem. Hoje minha irmã mais nova é minha amiga e madrinha do meu filho.

    @nossasaogemeos

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  12. Amiga Dani, adorei esta matéria. E eu pensava que os grandes não sofriam tanto. rs Acho que meu caso foi um pouco mais fácil, pois quando nasceram os irmãos não tinham o discernimento para sofrer de ciúme. Quando o Rafael nasceu a Bruna tinha 1 ano e 5 meses e ela curtiu como brincar de casinha. QUando a Daniela nasceu, a mais velha tinha 2 anos e 8 meses, já tinha talvez se acostumado a ter irmãos. rsrs e o do meio só tinha 1 ano e 3 meses. Por incrível que pareça , a ciumenta mesmo é a caçula, que “briga” pelo seu espaço! rsrs é uma caçulinha abusada ! Adorei suas dicas, sempre bom ouvir das mães mais experientes !!!! Bjsssss

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